Resumo:O mercado do ouro inicia esta quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026, em um momento de consolidação técnica e expectativa geopolítica. Após testar a região de US$ 5.250 nos últimos dias, o metal precioso opera em leve recuperação durante a sessão asiática, buscando firmar-se novamente acima do nível psicológico de US$ 5.200. A cotação spot (XAU/USD) é negociada a US$ 5.187,14, refletindo um equilíbrio delicado entre compradores que defendem suportes-chave e vendedores que aguardam novos catalisadores. Para o investidor brasileiro, o ouro mantém seu brilho, com a onça troy valendo expressivos R$ 858,80, um patamar que combina a resiliência do metal em dólar com a ainda elevada cotação da moeda americana frente ao real. O cenário atual é definido por três forças principais: a defesa de níveis técnicos cruciais, a fraqueza persistente do dólar e a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, que adiciona um prêmio de risco significativo ao ativo.

Data: 26 de Fevereiro de 2026
Do ponto de vista da análise técnica, o ouro apresenta um quadro de força subjacente notável. Após a recuperação espetacular desde a mínima corretiva de US$ 4.402 no início de fevereiro, o metal entrou em uma fase de consolidação lateral nos últimos dias, formando um pequeno padrão de bandeira (pennant) próximo à máxima recente de US$ 5.250. O que torna este movimento particularmente otimista é o comportamento dos preços em relação aos níveis de suporte críticos.
A análise de Bruce Powers, da FX Empire, destaca que o ouro está sendo negociado acima do importante nível de retração de Fibonacci de 61,8% , localizado em US$ 5.141. Este é um patamar técnico de extrema relevância, frequentemente utilizado por traders institucionais para avaliar a força de um movimento corretivo. A manutenção do preço acima deste nível é um sinal claro de que os compradores estão no controle e que a correção recente foi absorvida de forma saudável. Além disso, desde a recuperação decisiva acima das médias móveis de 10 e 20 dias na semana passada, o ouro não testou essas regiões como suporte, um comportamento que “mostra que os compradores permanecem no controle”. A formação de um topo mais alto (higher swing low) em US$ 5.119 reforça esta visão.
A sessão desta quinta-feira é marcada por uma luta pelo nível de US$ 5.200. Após replicar movimentos de recuperação vistos na sessão anterior, o ouro busca uma aceitação sustentada acima deste patamar para ganhar impulso em direção aos próximos alvos. A análise de Dhwani Mehta, da FXStreet, aponta que o Índice de Força Relativa (RSI) , atualmente em 59, mantém o momentum positivo, sem entrar em território de sobrecompra, sugerindo que há espaço para mais ganhos.
Os próximos alvos de curto prazo são bem definidos. Uma vez superada a resistência imediata em US$ 5.240, o caminho fica aberto para o teste de US$ 5.342, que corresponde ao nível de retração de Fibonacci de 78,6% . Este é um alvo intermediário antes de uma nova tentativa de romper a máxima histórica de US$ 5.598. Por outro lado, o suporte imediato permanece em US$ 5.141 (61,8% de Fibonacci). Uma perda deste nível exporia a região de US$ 5.000, onde se concentram a média de 21 dias e o nível de retração de 50%, um piso psicológico de enorme importância. Enquanto o preço se mantiver acima destes suportes, a tese de alta de curto prazo permanece válida.
Um dos principais aliados do ouro nesta quinta-feira é a contínua fraqueza do dólar americano (USD) . A moeda americana estende suas perdas contra os principais pares, pressionada por dois fatores interligados. O primeiro é o otimismo renovado após o sólido relatório de lucros da gigante de semicondutores Nvidia (NVDA) . O resultado excepcional da empresa, símbolo da corrida pela inteligência artificial (IA) , impulsionou o apetite por risco global, diminuindo a demanda pelo dólar como ativo de refúgio (safe haven) . O segundo fator é a persistente incerteza em torno da política comercial dos EUA. A declaração da Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, de que a tarifa para alguns países pode subir para 15% ou mais, sem oferecer detalhes concretos, mantém o mercado em estado de alerta e contribui para a fraqueza do dólar.
Esta combinação de dólar mais fraco e maior apetite por risco cria um ambiente favorável para o ouro. Embora a relação entre o metal e a moeda americana seja tradicionalmente inversa, o ouro também se beneficia de um cenário de liquidez abundante e busca por proteção contra a desvalorização cambial. A perspectiva de que o Federal Reserve (Fed) irá realizar cortes de juros ainda este ano, apesar de declarações recentes mais hawkish de alguns membros, continua a atuar como um vento de cauda para o metal não-rendoso.
O grande catalisador de risco para o preço do ouro nesta quinta-feira é o agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã. As duas nações se reúnem em Genebra para a terceira rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano, e o clima não é de otimismo. O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou que a insistência iraniana em não discutir mísseis balísticos é “um grande problema”.
O mercado interpreta esta postura como um sinal de que um acordo está distante. Caso as negociações terminem sem um avanço concreto, ou com apenas relatos vagos de “progresso”, a expectativa é de que a pressão sobre o ouro como ativo de refúgio se intensifique. Um resultado decepcionante pode implicar um ataque iminente dos EUA ao Irã, acendendo um conflito de proporções imprevisíveis no Oriente Médio. Este prêmio de guerra é um componente cada vez mais importante na formação do preço do ouro, e qualquer escalada retórica ou militar pode levar o metal a romper rapidamente suas resistências técnicas. Os traders estão, portanto, com os olhos fixos em Genebra.
Para o investidor brasileiro, a combinação de um ouro forte em dólar com um câmbio ainda desvalorizado continua a produzir resultados impressionantes. A onça troy negociada a R$ 858,80 é um lembrete poderoso do papel do metal como hedge cambial e geopolítico. Enquanto o dólar comercial opera em torno de R$ 5,15, qualquer valorização adicional do metal em dólar se traduz em ganhos amplificados em reais.
Este patamar elevado tem implicações importantes para diferentes perfis de investidores. Para quem já possui ouro na carteira, seja na forma física, seja através de ETFs como o OURI11 ou GLD11, é um momento de colher os frutos de uma estratégia de diversificação e proteção. Para quem está de fora e considera entrar, a decisão envolve uma análise cuidadosa do binômio risco-retorno. As correções, como a vivida no início de fevereiro, podem ser vistas como oportunidades de compra, mas é fundamental respeitar os níveis técnicos e a gestão de risco. A média móvel de 21 dias em torno de US$ 5.020 e o nível psicológico de US$ 5.000 são as principais referências para possíveis pontos de entrada em uma tendência de alta que, apesar das pausas, parece longe de se esgotar.
A análise dos gráficos de diferentes timeframes reforça a robustez da tendência de alta. No gráfico diário, o ouro negocia confortavelmente acima de todas as principais médias móveis: a média de 21 dias em US$ 5.020, a média de 50 dias em US$ 4.775, e as médias de 100 e 200 dias em patamares ainda mais baixos, oferecendo um suporte em camadas. Esta configuração é a assinatura de um mercado em tendência de alta saudável e bem estabelecida.
No gráfico semanal, os sinais são igualmente encorajadores. O ouro rompeu acima da máxima de três semanas de US$ 5.119 e, se conseguir fechar a semana acima deste nível, confirmará um rompimento no timeframe semanal. Powers observa que “os dois períodos anteriores terminaram em recordes de fechamento semanal, também mostrando força subjacente na demanda”. Apesar da queda de 21,4%, a recuperação subsequente tem sido vigorosa, e a demanda precisará ser reavaliada se o alvo de 78,6% (US$ 5.342) for atingido, abrindo caminho para um possível novo teste das máximas históricas.
A sessão de 26 de fevereiro de 2026 resume o momento atual do ouro: um ativo em pausa para respirar, mas com os compradores firmemente no controle. A consolidação próxima a US$ 5.200, a defesa do suporte de Fibonacci em US$ 5.141, a fraqueza estrutural do dólar e o prêmio de risco geopolítico formam um cenário de alta sustentável no curto e médio prazo.
Para o trader e investidor, as diretrizes são claras:
O ouro pode estar consolidando, mas sua estrutura subjacente e os catalisadores externos continuam a apontar para o norte. A pausa de hoje é apenas mais um capítulo na história de um ativo que, em tempos de incerteza, reafirma seu papel secular como reserva de valor e porto seguro para investidores ao redor do mundo.
