Resumo:A semana que se inicia em 25 de janeiro de 2026 se apresenta como um dos períodos mais delicados e potencialmente explosivos para o mercado de petróleo neste ano. O petróleo tipo WTI (West Texas Intermediate), após uma semana de tentativas frustradas de se estabelecer consistentemente acima dos US$ 60, fechou a sexta-feira anterior com um salto súbito, terminando em US$ 61,290. Este movimento final, impulsionado por uma compra cautelosa (cautious buying) de grandes traders antes do fim de semana, revela a extrema sensibilidade do mercado a um novo e perigoso fantasma: o risco de intervenção militar dos EUA no Irã. Combinado a um inverno global rigoroso que já fez os preços do gás natural dispararem 46%, o cenário está montado para uma semana de volatilidade extrema e definição de tendência. Este artigo analisa as previsões técnicas e fundamentais para o WTI e o Brent, traçando os cenários possíveis em um ambiente onde a geopolítica e o clima têm o poder de sobrepujar, temporariamente,

Publicado em 25/01/2026
A semana que se inicia em 25 de janeiro de 2026 se apresenta como um dos períodos mais delicados e potencialmente explosivos para o mercado de petróleo neste ano. O petróleo tipo WTI (West Texas Intermediate), após uma semana de tentativas frustradas de se estabelecer consistentemente acima dos US$ 60, fechou a sexta-feira anterior com um salto súbito, terminando em US$ 61,290. Este movimento final, impulsionado por uma compra cautelosa (cautious buying) de grandes traders antes do fim de semana, revela a extrema sensibilidade do mercado a um novo e perigoso fantasma: o risco de intervenção militar dos EUA no Irã. Combinado a um inverno global rigoroso que já fez os preços do gás natural dispararem 46%, o cenário está montado para uma semana de volatilidade extrema e definição de tendência. Este artigo analisa as previsões técnicas e fundamentais para o WTI e o Brent, traçando os cenários possíveis em um ambiente onde a geopolítica e o clima têm o poder de sobrepujar, temporariamente, a ainda presente narrativa de excesso de oferta estrutural.
O elemento mais imprevisível e carregado de risco para a semana é, sem dúvida, a crescente tensão entre os Estados Unidos e o Irã. Como o quarto maior produtor da OPEP, qualquer ação militar que interrompa o fluxo de petróleo iraniano teria um impacto imediato e severo na oferta global. A análise de mercado sugere que o salto de preço de sexta-feira foi uma jogada defensiva contra riscos (risk adverse play) de grandes fundos, que buscaram se proteger (hedge) contra a possibilidade de notícias negativas durante o fim de semana. A semana será um barômetro de gestão de risco: se a calma prevalecer nas manchetes, a justificativa para os preços em US$ 61+ pode se desfazer rapidamente. No entanto, se a retórica se aquecer ou ações concretas forem tomadas, o mercado testemunhará um choque inicial de oferta (supply shock) que poderá catapultar os preços. É crucial entender que esse é um risco geopolítico e climático, não estrutural, mas sua capacidade de mover mercados no curto prazo é formidável.
Do ponto de vista técnico, o WTI encontra-se em um momento crítico de confirmação ou rejeição. O fechamento da semana anterior trouxe o preço de volta acima da marca de US$ 61, mas o verdadeiro teste de fogo está um pouco acima.
A análise para o petróleo Brent segue uma lógica similar, refletindo os mesmos riscos geopolíticos. Tecnicamente, o Brent mantém-se acima do retracement de 0.618 de Fibonacci do grande rally de 2020-2022, o que coloca seu suporte estrutural-chave em US$ 58. Uma quebra sustentada abaixo deste nível alinharia as projeções técnicas com as expectativas de excesso de oferta de início de 2026, mirando uma queda para US$ 51-49. No lado positivo, uma movimentação acima da resistência geopolítica próxima a US$ 66,60 abriria o caminho para testes em US$ 67,80-68,79 e, potencialmente, o patamar psicológico de US$ 70. A dinâmica entre WTI e Brent continuará a ser um indicador do sentimento de risco global e das tensões específicas no Oriente Médio.
Além da espada de Dâmocles geopolítica, um fator climático tangível está fornecendo suporte aos preços: um inverno global acentuado. A onda de frio ártico mencionada nos relatórios não é apenas uma notícia; ela se traduz em demanda adicional por combustíveis de aquecimento, como evidenciado pelo salto de 46% nos preços do gás natural na semana passada. Este componente sazonal de demanda oferece um piso fundamental mais firme para os preços do petróleo, interagindo com os riscos geopolíticos para criar um ambiente de “hedging ascendente” (upside hedging). Traders estão comprando proteção contra a possibilidade de uma convergência de clima frio e interrupções na oferta, o que mantém a pressão compradora mesmo na ausência de uma guerra aberta.
Com base na convergência de análise técnica, risco geopolítico e fatores climáticos, a faixa especulativa para a semana é ampla, refletindo a alta incerteza. A projeção aponta para uma oscilação entre US$ 58,70 e US$ 64,10 para o WTI. Esta faixa captura os dois cenários principais:
Para o trader de curto prazo (day trader), esta semana exigirá gestão de risco excepcional. O petróleo provará ser volátil baseado em qualquer rumor ou ação militar concreta. A estratégia deve ser focada em níveis técnicos claros:
A semana de 25 a 30 de janeiro tem o potencial de ser um ponto de virada (inflection point) para o petróleo no primeiro trimestre de 2026. O mercado está esticado entre duas realidades: a incômoda presença de um excesso de oferta estrutural e a ameaça imediata de um choque geopolítico e climático. A resistência em US$ 62,20 no WTI é muito mais do que uma linha em um gráfico; é a fronteira onde essas duas narrativas colidirão.
Os traders não estão apenas precificando barris de crude; estão precificando a probabilidade de conflito no Golfo Pérsico e a severidade do inverno no Hemisfério Norte. A “compra cautelosa” do fim de semana passado foi o primeiro sinal de que os grandes players estão levando esses riscos a sério. Agora, o mercado em massa decidirá se essa cautela se justifica ou se era apenas um susto passageiro. Independentemente do resultado, uma coisa é certa: a volatilidade estará de volta com força total, e o preço do petróleo será, mais uma vez, o espelho mais fiel dos nervos do mundo.
