Resumo:O mercado financeiro global inicia a semana de 29 de março a 03 de abril de 2026 em um estado de tensão elevada e movimentos seletivos. O dólar americano (USD) mantém sua força, impulsionado pelo aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro (Treasury yields) e pela busca por refúgio (safe haven) em meio à guerra no Oriente Médio.

Data: 29 de Março de 2026
O mercado financeiro global inicia a semana de 29 de março a 03 de abril de 2026 em um estado de tensão elevada e movimentos seletivos. O dólar americano (USD) mantém sua força, impulsionado pelo aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro (Treasury yields) e pela busca por refúgio (safe haven) em meio à guerra no Oriente Médio. No entanto, sua performance não é uniforme: enquanto o peso mexicano (MXN) e o franco suíço (CHF) mostram resiliência, o euro (EUR) e o iene japonês (JPY) continuam sob pressão. Os índices acionários, como o NASDAQ 100, desmoronam com o aumento das taxas de juros, enquanto o ouro (XAU/USD) tenta se recuperar de uma queda violenta, formando um padrão de martelo (hammer) semanal. O Bitcoin (BTC) , por sua vez, se mantém em uma faixa de consolidação, relativamente estável, apesar do caos geopolítico. A semana será marcada pela divulgação de dados de emprego nos EUA (Payroll) , que podem dar novo ímpeto ao dólar, e pela contínua monitoração das manchetes sobre um possível cessar-fogo entre EUA e Irã.
O NASDAQ 100 teve uma semana de forte queda, após uma tentativa inicial de rali. O índice rompeu o nível crucial de 23.800 e também caiu abaixo da média móvel exponencial de 50 semanas (50-week EMA) . Este movimento é um reflexo direto do aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasury yields) , que têm subido de forma violenta. Como as empresas de tecnologia têm valuations baseados em fluxos de caixa futuros, elas são particularmente sensíveis a aumentos nas taxas de juros.
A análise de Christopher Lewis, da DailyForex, é clara: “Com o aumento das taxas, elas pesam muito sobre as ações de tecnologia, e é o que estamos vendo acontecer aqui”. O índice continuará a ser movido pelas manchetes geopolíticas, que afetam diretamente o mercado de juros. Um alívio temporário pode ocorrer se houver sinais de desescalada, mas a tendência de fundo é de baixa enquanto os yields continuarem subindo.
O par USD/MXN formou um padrão de martelo (hammer) pela terceira semana consecutiva, um sinal técnico que sugere uma potencial reversão de alta e um enfraquecimento do peso mexicano (MXN) . A resistência imediata está na região da média móvel exponencial de 50 semanas (50-week EMA) , em 18,29 , e o próximo alvo está em 18,50.
Apesar do diferencial de juros desfavorável para quem compra o par (pois o MXN paga juros mais altos), Lewis acredita que “este mercado parece estar tentando subir”. A força do dólar, impulsionada pelos juros americanos, está se sobrepondo ao diferencial. Uma queda só seria possível com uma mudança radical na trajetória de força do dólar, o que parece improvável no curto prazo.
O par GBP/JPY continua a ser um dos favoritos para estratégias de carry trade. A libra esterlina (GBP) se valorizou ligeiramente contra o iene (JPY), e o mercado está de olho na resistência em 214,00. Um rompimento acima deste nível aceleraria os ganhos.
Lewis recomenda comprar em quedas (buy the dip) , aproveitando o enorme diferencial de juros entre o Reino Unido e o Japão. Embora a ameaça de intervenção do Banco do Japão (BoJ) esteja sempre presente, “é um trabalho um tanto difícil para o banco central evitar que o valor do iene seja aniquilado”. O par tende a subir, com a libra sendo uma das principais beneficiárias.
O par EUR/USD teve uma semana volátil, formando um padrão de “estrela cadente” (shooting star) , que pode sinalizar uma exaustão da tentativa de alta. O par continua preso no mesmo range de negociação das últimas semanas.
Lewis destaca que o nível de 1,14 é o grande divisor de águas. Uma quebra sustentada abaixo deste patamar “faria o dólar americano se fortalecer drasticamente” e seria um sinal de que a moeda americana está se apreciando contra praticamente todas as outras. Por outro lado, um rompimento acima das máximas da semana passada seria negativo para o dólar e poderia levar o par a 1,18. O euro, por enquanto, está em um “modo de espera”, aguardando um catalisador.
O ouro (XAU/USD) teve uma semana de forte queda, mas se recuperou de forma impressionante, formando um martelo (hammer) semanal de grandes proporções. Este é um padrão de reversão de alta que, se confirmado, pode levar o metal a testar a resistência de US$ 4.600.
No entanto, Lewis adverte que “a única coisa que está trabalhando contra o ouro é o fato de que as taxas de juros na América continuam subindo”. Enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro (Treasury yields) continuarem a subir, o ouro terá dificuldade para sustentar uma alta duradoura. Uma queda abaixo do suporte psicológico de US$ 4.000 seria “catastrófica”. Por enquanto, o metal parece estar “tentando um salto” (trying to bounce), mas a confirmação virá apenas com um movimento acima de US$ 4.600.
O Bitcoin (BTC) teve uma semana “um tanto suave”, mas, considerando que há uma guerra quente entre o Irã e os Estados Unidos, seu desempenho tem sido “razoavelmente bom”. O preço está oscilando em torno da média móvel exponencial de 200 semanas (200-week EMA) , um indicador de suporte de longo prazo.
A resistência continua em US$ 72.000 , e o suporte em US$ 60.000 atua como um piso. Lewis acredita que o Bitcoin está “no meio de uma tentativa de formar algum tipo de base para um movimento de longo prazo”. O mercado está barulhento (noisy), mas a estabilidade relativa é um sinal positivo.
Lewis é direto em relação ao gás natural: “a maioria dos traders de varejo provavelmente deveria evitar este mercado agora”. A demanda pelo produto está “caindo de um penhasco”. Embora a Europa tenha problemas para obter gás, é a “época errada do ano” para ver uma demanda forte, e o contrato negociado é centrado nos EUA, onde a primavera está chegando. A estratégia é vender em ralis (sell rallies) , mas o ativo é complexo e volátil demais para a maioria dos investidores não profissionais.
O par USD/CHF continua sua trajetória de alta, aproximando-se do nível crucial de 0,80. Um rompimento acima deste patamar poderia desencadear uma aceleração significativa. Lewis mantém uma visão positiva (bullish) para o par, impulsionado pelo diferencial de juros e pela ameaça de intervenção do Banco Nacional da Suíça (SNB) .
O SNB já ameaçou intervir se o franco suíço (CHF) se fortalecer muito. Isto, combinado com a atratividade do dólar, cria um cenário ideal para comprar em quedas (buy the dip) e, para traders que podem manter posições por mais tempo, ainda coletar o swap (diferencial de juros) positivo no final de cada dia.
A semana de 29 de março a 03 de abril será definida pela continuação da guerra no Oriente Médio, pelos movimentos nos rendimentos dos títulos americanos e pelos dados de emprego nos EUA. As estratégias para os principais ativos são:
A guerra continua a ser o fator dominante, mas os fundamentos econômicos (juros, inflação, emprego) estão começando a reafirmar sua influência. A paciência e a gestão de risco continuarão a ser as ferramentas mais valiosas para navegar nestas águas turbulentas.
