Resumo:Campeões do Arena Trader explicam como alinhamento, estratégia e controle do ego ajudaram a equipe a conquistar o título.
Quatro traders com operacionais diferentes, uma equipe formada praticamente de última hora e uma vitória definida por apenas R$88.
O campeonato do Arena Trader, realizado na Expert XP 2026, colocou em evidência princípios conhecidos de quem opera no mercado: estratégia, alinhamento, controle emocional e capacidade de seguir um plano mesmo sob pressão.
Filipe Borges, Dudu Solagaistuae Alison Santosforam os convidados do episódio 259do programa GainCastpara contar os bastidores da conquista ao lado de Guilherme Muniz.
Representando a Nomos, o quarteto avançou por quatro fases, venceu o time da Liberta na decisão e garantiu como prêmio uma viagem a Nova York para acompanhar uma partida do US Open.
Time nasceu no acaso
A composição da equipe não havia sido planejada.
Dois integrantes do grupo originalmente escalado não chegaram a tempo, e Borges precisou remanejar uma palestra para participar da competição. Além disso, ele ainda não havia conversado pessoalmente com Santos e Muniz.
A partir daí, o primeiro desafio foi transformar quatro operacionais individuais em uma estratégia coletiva. “Nosso time ele foi formado meio que no acaso”, conta Borges.
Com a classificação, a equipe passou a estabelecer funções para evitar que os quatro operassem de maneira independente. Em determinadas situações, alguns integrantes entravam primeiro, enquanto os demais aguardavam uma nova região ou confirmação.
Dessa forma, o resultado individual deixou de ser prioridade diante do desempenho agregado do time. “A gente trabalhou como equipe de fato”, destaca Borges.
O modelo também exigiu compatibilizar diferentes formas de interpretar o mercado. Como o gráfico só era apresentado no início de cada bateria, os traders tinham pouco tempo para analisar o contexto, expor suas leituras e chegar a uma direção comum.
“Eu opero de uma forma, ele de outra, o Muniz de outra, o Solagaistua de outra. Então, a gente tentou fazer um alinhamento”, explica Santos.
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Estratégia antes do clique
A lógica adotada pelo quarteto priorizava a classificação, e não a necessidade de cada trader obter o maior resultado financeiro da bateria. Com apenas 10 minutos disponíveis, operar excessivamente poderia comprometer uma vantagem já construída.
Por isso, a equipe também precisou reconhecer momentos em que permanecer sem posição fazia parte da estratégia. “Se a gente fizer R$1 e a gente passar, está tudo certo”, lembra Borges.
Na final, a análise conjunta identificou uma região em que o grupo avaliava existir maior probabilidade de reação do preço. A equipe, então, definiu antecipadamente a direção das operações e a sequência das entradas.
Mesmo assim, os campeões ressaltam que uma leitura técnica trabalha com probabilidades e não garante o comportamento seguinte do mercado.
“Nós tivemos a estratégia para definir a zona de compra, mas tivemos a sorte também de o mercado fazer o movimento que a gente esperava”, reconhece Santos.
Outro elemento foi controlar a necessidade de operar para responder ao ambiente competitivo.
Para Santos, a pressão da plateia e do placar reproduziu, de maneira amplificada, um problema frequente no pregão: insistir em uma operação simplesmente para recuperar uma perda ou provar que determinada leitura estava correta.
“Então, a estratégia era neutralizar o ego, literalmente, como a gente faz no dia a dia”, enfatiza.
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Plano sob pressão
Na decisão, o time da Liberta abriu vantagem, e os quatro integrantes da Nomos chegaram a registrar resultados negativos.
Mesmo atrás no placar, porém, a equipe manteve a leitura de que havia possibilidade de alta e concentrou os 80 contratos disponíveis na mesma direção.
O risco aumentou, mas a decisão estava alinhada ao cenário definido pelo grupo. “Entendemos que precisávamos entrar com os quatro na mesma posição e era a nossa chance de ganhar”, relata Solagaistua.
Quando o preço reagiu, o gerenciamento da saída passou a ser determinante. Em vez de encerrar os 80 contratos simultaneamente, os integrantes reduziram as posições gradualmente, enquanto Santos permaneceu posicionado por mais tempo.
Assim, a equipe conseguiu aproveitar parte adicional do movimento sem abandonar a estratégia definida antes da entrada. “A minha posição foi finalizada faltando 15 segundos para acabar a contagem”, recorda Santos.
A diferença final mostra como pequenas variações de preço podem alterar o resultado quando há exposição elevada e pouco tempo de operação.
Apesar da vantagem construída anteriormente pelo adversário, a movimentação nos instantes finais colocou a Nomos à frente. “E aí deu essa diferença de R$88, e a gente acabou levando”, revela Santos.
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Aprendizado além do título
Para Solagaistua, o resultado também reflete conhecimentos desenvolvidos pelos quatro integrantes antes da competição.
Embora a formação da equipe tenha ocorrido de última hora, cada trader chegou ao campeonato com experiência própria de mercado, o que permitiu construir rapidamente uma estratégia conjunta.
Nesse sentido, a vitória não é atribuída apenas ao movimento ocorrido na final. “Tudo que a gente construiu fez com que a gente chegasse naquela oportunidade”, sustenta Solagaistua.
Além do título, o quarteto garantiu uma viagem a Nova York para acompanhar uma partida do US Open. O prêmio será compartilhado pelos quatro integrantes.
Borges avalia que a participação trouxe aprendizados que vão além do resultado financeiro.
Operar ao lado de profissionais com métodos e personalidades diferentes exigiu comunicação, adaptação e capacidade de abrir mão de decisões individuais em favor da estratégia coletiva.
Para ele, esses elementos também deram peso à conquista. “E nem sempre é só o dinheiro”, observa Borges.
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