Resumo:O euro inicia a terça-feira, 13 de janeiro de 2026, em um cenário de dualidade clara: frente ao dólar, demonstra uma resiliência técnica temporária após a crise institucional americana, mas segue confinado a um amplo range lateral sem força para uma reversão de tendência definitiva. Em paralelo, sua cotação em real brasileiro mantém-se em patamar historicamente elevado, refletindo menos a força da moeda europeia e mais a persistente pressão sobre o câmbio doméstico.

Publicado em 13/01/2026
O euro inicia a terça-feira, 13 de janeiro de 2026, em um cenário de dualidade clara: frente ao dólar, demonstra uma resiliência técnica temporária após a crise institucional americana, mas segue confinado a um amplo range lateral sem força para uma reversão de tendência definitiva. Em paralelo, sua cotação em real brasileiro mantém-se em patamar historicamente elevado, refletindo menos a força da moeda europeia e mais a persistente pressão sobre o câmbio doméstico. Com a abertura do mercado brasileiro, o euro foi cotado a R$ 6,28, um valor que impacta diretamente importadores, viajantes e investidores. Enquanto isso, no par EUR/USD, analistas destacam o comportamento de “fade the rally” (enfraquecimento dos ganhos), sugerindo que qualquer alta é vista como oportunidade de venda, com o nível de 1.1800 atuando como uma barreira de resistência crítica. Este artigo desvenda os drivers técnicos e fundamentais que movem o euro hoje, oferecendo uma análise aprofundada para operar tanto o par global quanto seu impacto no mercado brasileiro.
O início da semana foi marcado por uma onda de volatilidade no par EUR/USD, impulsionada diretamente pelo terremoto institucional que atinge o coração da política monetária global. A notícia de que o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) está investigando o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, e ameaçando-o com acusações criminais, gerou uma onda inicial de venda do dólar. Esta reação refletiu o temor do mercado quanto ao futuro da independência do Fed e os riscos de longo prazo para a política monetária americana. O euro se beneficiou momentaneamente deste fluxo, rompendo a Média Móvel Exponencial (EMA) de 50 dias e chegando a tocar a região de 1.1698.
No entanto, a análise predominante entre os traders é de que este movimento é corretivo e insustentável. A visão de que a crise é, em grande parte, um “teatro político” já começa a se firmar, e o mercado rapidamente está “olhando através” do barulho inicial. A estratégia que ganha força é a de “fade the rally”, ou seja, vender o euro em seus momentos de força. A lógica é clara: a tendência de maior prazo ainda é de baixa ou lateralidade, e a estrutura econômica subjacente não mudou. A Zona do Euro continua com crescimento anêmico e um Banco Central Europeu (ECB) extremamente cauteloso, enquanto os fundamentos dos EUA, apesar da crise política, seguem relativamente mais robustos.
Portanto, o nível de 1.1800 se consolida como a principal resistência a ser vigiada. Analistas apontam que uma oportunidade de venda do euro próximo a este patamar, especialmente em sinais de exaustão da alta, é uma operação de alto valor esperado. Apenas um rompimento decisivo e sustentado acima de 1.1850 poderia invalidar essa visão e abrir caminho para um teste mais sério em 1.2000. Do lado de baixo, os suportes fundamentais permanecem na região de 1.1500, reforçado pela EMA de 200 dias, e estendendo-se até 1.1400.
Uma análise técnica mais granular do EUR/USD confirma o cenário de indecisão com viés de venda em força. O par continua negociando dentro de uma linha de tendência de baixa de curto prazo, formando topos e fundos mais baixos. No momento, o preço oscila em torno de 1.1670, e uma recuperação técnica é possível antes que a pressão vendedora principal retorne.
Com base nisso, os sinais de operação sugeridos são polarizados:
Enquanto a batalha entre euro e dólar ocorre no campo técnico global, o resultado para o brasileiro é tangível e oneroso. A abertura do euro a R$ 6,28 nesta terça-feira é um reflexo direto da equação EUR/BRL = (EUR/USD) * (USD/BRL). Neste momento, o componente USD/BRL é o fator dominante.
Mesmo com o EUR/USD operando em um range baixo (em torno de 1.1650-1.1700), a cotação do dólar comercial persistindo em patamares elevados, próximos a R$ 5,39, multiplica o valor do euro em reais. Este cenário tem implicações práticas e imediatas:
A persistência de um euro caro em reais é, portanto, menos um sinal de força europeia e mais um indicador da pressão cambial estrutural que o Brasil enfrenta, ligada a questões fiscais, de risco-país e de fluxos de capital.
A análise do euro não estaria completa sem observar seu desempenho contra outras moedas além do dólar. O par EUR/JPY conta uma história diferente: aqui, o euro exibe força consistente. O par negociou próximo a 185,20, mantendo ganhos acima do nível psicológico de 185,00 pelo terceiro dia consecutivo.
Esta força é impulsionada principalmente pela fraqueza estrutural do iene japonês (JPY), que por sua vez é alimentada por:
Tecnicamente, o EUR/JPY opera acima da EMA de 100 dias (178,68), confirmando uma tendência de alta de médio prazo. O RSI em 66,82 indica momentum comprador sem estar em território de sobrecompra, sugerindo que há espaço para mais ganhos. A ruptura acima da Banda Superior de Bollinger (185,15) indica um movimento forte, porém esticado, que pode levar a uma breve consolidação antes de possíveis novas altas.
O panorama para o euro em 13 de janeiro é de expectativa e contenção. O EUR/USD mostra-se incapaz de capitalizar a fraqueza política do dólar de forma sustentada, preso em um range entre 1.1400 e 1.1800 onde a estratégia de venda em rallies (“fade”) parece a mais sábia. O grande evento do dia, o dado de inflação (CPI) dos EUA, tem o potencial de ser um catalisador: um número fraco pode reviver a tese de cortes do Fed e pressionar o dólar, dando fôlego ao euro. Um número forte, por outro lado, pode reafirmar a resiliência da economia americana e enviar o euro de volta para testar os suportes mais baixos.
Para o mercado brasileiro, a cotação do euro em real seguirá refém da trajetória do dólar. Enquanto o paridade USD/BRL se mantiver em patamares elevados, qualquer flutuação do EUR/USD terá um impacto amplificado em reais. Investidores e empresas com exposição à moeda europeia devem priorizar estratégias de hedge e proteção cambial, dada a volatilidade inerente ao cenário global. Em resumo, o euro hoje é um ativo que reflete mais as crises alheias (dos EUA e do Japão) do que sua própria força, um participante reativo em um tabuleiro de xadrez definido por outros.
