Resumo:O mercado cambial inicia esta semana de 26 de janeiro de 2026 com movimentos significativos, refletindo um cenário global de expectativas sobre políticas monetárias e fragilidades econômicas. O euro, moeda oficial de 20 países da União Europeia, apresenta um comportamento divergente frente às duas principais referências para o investidor brasileiro: o dólar norte-americano (USD) e o real brasileiro (BRL). Enquanto a moeda europeia se fortalece para uma máxima de quatro meses contra o dólar, sua abertura frente ao real foi marcada por uma cotação específica, em um dia onde as atenções do mundo financeiro se voltam para os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos. Este artigo mergulha nas nuances dessas cotações, explorando os fundamentos econômicos, as análises técnicas e o contexto macroeconômico que definem o valor do euro hoje.

Publicado em 26/01/2026
O mercado cambial inicia esta semana de 26 de janeiro de 2026 com movimentos significativos, refletindo um cenário global de expectativas sobre políticas monetárias e fragilidades econômicas. O euro, moeda oficial de 20 países da União Europeia, apresenta um comportamento divergente frente às duas principais referências para o investidor brasileiro: o dólar norte-americano (USD) e o real brasileiro (BRL). Enquanto a moeda europeia se fortalece para uma máxima de quatro meses contra o dólar, sua abertura frente ao real foi marcada por uma cotação específica, em um dia onde as atenções do mundo financeiro se voltam para os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos. Este artigo mergulha nas nuances dessas cotações, explorando os fundamentos econômicos, as análises técnicas e o contexto macroeconômico que definem o valor do euro hoje.
O euro abriu a sessão desta segunda-feira, 26/01/2026, com uma cotação de R$ 6,31 no mercado brasileiro. O câmbio no Brasil opera dentro de um horário definido, com abertura às 9h e fechamento às 17h, no horário de Brasília. Essa cotação inicial reflete a negociação após o fim de semana, absorvendo os movimentos globais e as expectativas locais. Para o cidadão ou investidor interessado em adquirir a moeda europeia, as opções são diversas: desde as tradicionais casas de câmbio e agências de turismo até bancos comerciais e a conveniência das plataformas digitais de bancos com serviços cambiais. A abertura do euro em patamar acima de seis reais mantém a moeda como uma divisa de alto valor, impactando diretamente os custos de importação, viagens internacionais e investimentos em ativos denominados em euros.
O comportamento do par EUR/BRL não ocorre isoladamente. Ele é influenciado tanto pela força intrínseca do euro no mercado internacional quanto pela dinâmica específica da economia brasileira e do seu principal termômetro de risco, o dólar comercial. Neste mesmo dia, o dólar à vista operava em leve recuo, cotado a R$ 5,280 na venda por volta das 9h08. Essa leve pressão de baixa no dólar contribui para o cenário de avaliação do euro, criando um ambiente onde as duas principais moedas internacionais se movem em sintonia relativa frente ao real, mas com drivers distintos.
Enquanto no Brasil a atenção se divide, no cenário global o foco principal é a performance do par EUR/USD. Nesta segunda-feira, o euro atingiu um nível notável, superando a marca de 1,1850 e alcançando uma máxima de quatro meses, com picos próximos a 1,19. Este movimento de alta é amplamente atribuído a uma significativa fraqueza do dólar norte-americano (USD) no mercado internacional, um fenômeno que começou a se acentuar na sexta-feira anterior e se estendeu para a abertura da nova semana.
A queda do dólar foi catalisada por um evento específico: o Federal Reserve (Fed) dos EUA conduziu um “rate check” sobre o par USD/JPY na sexta-feira. Esta ação, frequentemente interpretada pelo mercado como um sinal de alerta para uma possível intervenção direta no mercado de câmbio, levou muitos investidores a reduzirem suas posições compradas (long) em dólar. O receio de que as autoridades monetárias americanas possam agir para conter a valorização excessiva de sua moeda contra o iene gerou um efeito cascata, pressionando o dólar frente a várias divisas, incluindo o euro.
Além do fator técnico-intervencionista, questões políticas também pesam sobre o greenback. As ameaças do Presidente Donald Trump de impor tarifas de 100% sobre produtos canadenses trouxeram de volta ao foco a natureza errática e imprevisível da política comercial de sua administração. Esta incerteza política e comercial atua como um fardo adicional para o dólar, afastando investidores e criando um ambiente propício para a valorização de moedas de economias consideradas mais estáveis politicamente, como o euro.
No front de dados econômicos da Zona do Euro, os números não foram particularmente inspiradores, mas também não pioraram o cenário. O mais recente levantamento do Instituto Ifo mostrou que o índice de clima empresarial da Alemanha se manteve inalterado em janeiro, em 87,6 pontos, o mesmo nível de dezembro. Este dado sugere que a maior economia da Europa está iniciando o novo ano sem um momentum claro de crescimento, mas também sem uma deterioração aguda. Em um contexto de dólar fragilizado, a estabilidade relativa foi suficiente para sustentar a alta do euro.
Do ponto de vista da análise técnica, o movimento atual do EUR/USD é visto como uma extensão da recuperação que se iniciou a partir de uma base formada próximo a 1,16. A quebra da importante resistência em 1,18 foi um passo crucial, abrindo caminho para o teste dos níveis próximos a 1,19. No entanto, os gráficos apresentam um sinal de cautela: a formação de uma vela com pavio (wick) superior muito longo no topo do movimento. Este padrão, conhecido como “estrela cadente” (shooting star), pode indicar que a procura por compras nesses patamares mais elevados foi fraca e que os vendedores começaram a agir com força, potencialmente sinalizando uma reversão de tendência de curto prazo.
Os analistas técnicos agora monitoram os níveis de suporte imediato. O primeiro deles é a região de 1,18, que antes era resistência e agora pode funcionar como suporte, seguido pela linha de tendência de alta em torno de 1,1765. Uma ruptura decisiva abaixo desta estrutura de suporte poderia confirmar o enfraquecimento do movimento de alta. Para que a perspectiva do par mude estruturalmente de positiva para negativa, seria necessária uma quebra abaixo do fundo anterior de 1,16. Tal movimento configuraria um novo fundo mais baixo (lower low) e daria controle definitivo aos vendedores (ursos). O grande evento desta semana, a decisão de política monetária do FOMC (Federal Open Market Committee) na quarta-feira, será crucial para definir a próxima direção, pois pode oferecer novos insights sobre o ciclo de juros americano e a disposição do Fed em tolerar um dólar mais fraco.
No Brasil, a cotação do euro é indiretamente afetada pelo comportamento do dólar comercial, seu principal concorrente no mercado de câmbio local. Como mencionado, o dólar opera em leve baixa nesta segunda-feira. Este movimento ocorre em sintonia com a desvalorização global do dólar, mas também em um ambiente de expectativa cautelosa. Todas as atenções estão voltadas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, que também anuncia sua decisão na quarta-feira.
O consenso do mercado é pela manutenção da taxa Selic em 15% ao ano. O foco principal dos investidores, no entanto, não está na decisão em si, mas nas sinalizações (forward guidance) que o BCB pode oferecer em sua comunicação. O mercado busca avidamente por quaisquer indícios sobre o timing e a velocidade do início de um ciclo de cortes da taxa básica de juros. Qualquer sinal mais “dovish” (acomodatício) que antecipe ou acelere a expectativa de cortes pode exercer pressão de desvalorização sobre o real, impactando tanto o par USD/BRL quanto o EUR/BRL. Em contrapartida, uma postura mais cautelosa ou “hawkish” (restritiva) do Copom poderia sustentar ou até valorizar a moeda brasileira no curto prazo.
Outro fator interno de destaque é a nova edição do Boletim Focus, também divulgado nesta segunda-feira (26). O relatório que compila as projeções de mercado mostrou uma nova redução na expectativa de inflação para 2026, um sinal positivo que dá margem para o BCB eventualmente flexibilizar a política monetária. As projeções para o crescimento do PIB e para a própria taxa Selic permaneceram inalteradas no curto prazo. No entanto, um dado chamou a atenção no longo prazo: as estimativas para o câmbio voltaram a subir. Isso indica que, embora haja otimismo com a inflação, o mercado ainda projeta um real sob alguma pressão no futuro, possivelmente refletindo preocupações com o equilíbrio fiscal e a dinâmica da conta corrente. Essa projeção de câmbio mais desvalorizado no horizonte é um elemento que sustenta patamares elevados para o euro em reais.
O panorama para o euro em 26 de janeiro de 2026 é, portanto, de força relativa no cenário internacional, mas sujeito a correções técnicas, e de valorização estável no mercado brasileiro, mas vulnerável às decisões de política monetária local. O par EUR/USD navega em águas de alta, impulsionado mais pela fraqueza do dólar do que por uma força exuberante da economia europeia. A formação de um possível padrão de reversão nos gráficos exige cautela dos traders de curto prazo. O evento-chave para este par será o comunicado do FED, que pode reacender ou dissipar os temores sobre a força do dólar.
Para o par EUR/BRL, a dinâmica é dupla. De um lado, um euro globalmente firme; de outro, um real que tenta se equilibrar entre um dólar internacional fraco e expectativas domésticas sobre juros altos por mais tempo. A decisão do Copom será o principal catalisador local nesta semana. Um comunicado que sugira cortes de juros mais iminentes pode levar a uma desvalorização do real, potencialmente elevando a cotação do euro acima de R$ 6,31. Por outro lado, uma postura mais rígida do BCB pode conter o real, limitando a alta do euro em reais.
Para quem opera no câmbio, seja para proteção (hedge), investimento ou transações comerciais, esta é uma semana para monitoramento constante e gestão rigorosa de risco. A volatilidade tende a aumentar na quarta-feira, com os anúncios simultâneos de dois dos bancos centrais mais importantes do mundo. A cotação ao vivo do euro, portanto, não é apenas um número, mas um reflexo em tempo real de um complexo tabuleiro geopolítico e econômico, onde decisões em Brasília, Washington e Frankfurt se entrelaçam para definir o valor de uma moeda utilizada por mais de 300 milhões de pessoas. Acompanhar essas variáveis é fundamental para qualquer tomada de decisão informada no mercado financeiro atual.
