Resumo:Os mercados financeiros globais iniciam esta segunda-feira, 09 de fevereiro de 2026, em um clima de cauteloso otimismo, mas com a consciência aguda de que a semana será definida por uma sequência de dados econômicos de alto impacto. Após uma semana de volatilidade extrema que viu o ouro oscilar entre US$ 4.400 e US$ 5.100, o Bitcoin sofrer uma liquidação histórica e os índices americanos fecharem forte após balanços decepcionantes de gigantes da tecnologia, os investidores se preparam para um novo ciclo de informações.

Data: 09 de Fevereiro de 2026
Os mercados financeiros globais iniciam esta segunda-feira, 09 de fevereiro de 2026, em um clima de cauteloso otimismo, mas com a consciência aguda de que a semana será definida por uma sequência de dados econômicos de alto impacto. Após uma semana de volatilidade extrema que viu o ouro oscilar entre US$ 4.400 e US$ 5.100, o Bitcoin sofrer uma liquidação histórica e os índices americanos fecharem forte após balanços decepcionantes de gigantes da tecnologia, os investidores se preparam para um novo ciclo de informações. O foco imediato se divide entre a abertura dos mercados europeus e americanos, discursos de autoridades do Federal Reserve (Fed) e do Banco Central Europeu (BCE), e a preparação para os dados de inflação e emprego que dominarão os dias seguintes. Para o trader, é um dia de posicionamento tático e gestão de risco rigorosa, enquanto as tendências de maior prazo aguardam confirmação.
O par EUR/USD é um dos principais focos de análise técnica nesta segunda-feira. Após uma correção na semana passada, que o levou de uma máxima anual de 1.2080 para negociar em torno de 1.1820, o par apresenta um setup técnico promissor para os bulls. A análise de Crispus Nyaga destaca a formação de um padrão clássico de “ruptura e reteste” (break-and-retest). O EUR/USD rompeu para cima de um nível de resistência importante em 1.1797 (a máxima de dezembro) e agora está retornando para testar esse mesmo nível como novo suporte. Este é um sinal técnico típico de continuação de tendência de alta.
O par continua negociando acima de sua linha de tendência de alta (que conecta os mínimos desde maio de 2025) e também acima da Média Móvel Exponencial de 50 dias (50-day EMA), dois indicadores que sustentam a tese bullish. A visão predominante, portanto, é de que a correção pode ter chegado ao fim, com o par se preparando para um rebound em direção ao nível psicológico de 1.2000, e potencialmente para retestar a máxima do ano em 1.2080. Dois cenários de trading são propostos: uma operação de compra (bullish) com take-profit em 1.2000 e stop-loss em 1.1700, ou, de forma mais conservadora, uma operação de venda (bearish) caso o suporte falhe, mirando 1.1700. O grande evento fundamental que pode definir a direção virá apenas na quarta-feira, com os dados de emprego não-agrícolas (NFP) dos EUA, adiados da semana passada.
O Dólar Americano (USD) inicia a semana sob pressão generalizada, conforme refletido no desempenho negativo de vários de seus pares. O USD/JPY recua 0,31%, enquanto o USD/BRL apresenta uma queda mais expressiva de 1,06%, negociando próximo a R$ 5,2171. Essa fraqueza persiste mesmo após a confirmação da indicação de Kevin Warsh – visto como hawkish – para a presidência do Fed. O mercado parece estar num processo de “venda no fato” (sell the news), onde a expectativa pela nomeação já estava precificada, e agora os investidores se voltam para outras preocupações.
A principal delas são sinais de que o mercado de trabalho americano pode estar desacelerando mais rapidamente. O relatório do ADP da semana passada mostrou a criação de menos de 30 mil empregos privados em janeiro, um número muito fraco. Isto alimenta dúvidas sobre a capacidade da economia de suportar taxas de juros elevadas por muito tempo, mesmo sob um Fed potencialmente mais rígido. Além disso, a postura do governo Trump parece continuar a favorecer um dólar mais competitivo (mais fraco) para estimular as exportações. A atenção nesta segunda-feira estará voltada para os discursos dos membros do Fed Christopher Waller e Raphael Bostic. Qualquer sinal de cautela ou preocupação com a desaceleração econômica em seus comentários pode amplificar a pressão vendedora sobre o dólar no curto prazo.
O ouro surge como um ativo que busca estabilizar-se após uma das semanas mais voláteis de sua história recente. Impulsionado pelas elevadas incertezas geopolíticas entre Irã e EUA, o metal viveu uma verdadeira montanha-russa, tocando uma máxima de US$ 5.100 e uma mínima chocante de US$ 4.400 em questão de dias. Esta volatilidade foi um reflexo claro de seu papel de ativo de refúgio (safe-haven), com investidores correndo para sua proteção em momentos de pico de tensão e saindo quando o medo dava uma trégua.
Nesta segunda-feira, o XAU/USD opera com um ganho modesto de 0,52%, uma indicação de que o mercado está em um modo de consolidação e digestão. Os traders avaliam se a correção violenta esgotou o excesso de vendas e criou uma base sólida para uma nova tentativa de alta, ou se o metal permanecerá preso em um amplo range de negociação entre US$ 4.400 e US$ 5.100. A presença de discursos de autoridades do Fed e a proximidade dos dados de inflação americana (CPI) mantêm os investidores de ouro em alerta, pois qualquer sinal que fortaleça o dólar pode limitar os ganhos do metal. No entanto, a narrativa de hedge contra a incerteza geopolítica permanece intacta e deve continuar oferecendo suporte.
Os mercados acionários apresentam um cenário de divergência setorial. Nos EUA, o setor de tecnologia, especialmente softwares, sofreu um sell-off generalizado na semana passada. Os balanços de Amazon (AMZN), que caiu 5,55%, e Alphabet (GOOGL), em queda de 2,53%, decepcionaram ao anunciarem gastos de capital (capex) muito acima do esperado na corrida pela Inteligência Artificial, preocupando investidores com a pressão sobre a rentabilidade futura. Este mal humor no setor de growth contrasta com o “forte fechamento dos índices americanos na sexta-feira”, sugerindo uma rotação de capital para setores mais defensivos ou cíclicos.
No Brasil, o Ibovespa inicia a semana com leve alta de 0,45%, após uma semana volátil onde renovou sua máxima histórica nominal, mas fechou próximo da estabilidade. A ata do Copom consolidou a expectativa de um corte de 0,50 ponto percentual (50 bps) na Taxa Selic em março, um ambiente tradicionalmente favorável para as ações. A temporada de balanços começa a impactar papéis individuais: Itaú (ITUB4) sobe 2,70% em meio a euforia com seus resultados, enquanto Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11) caem 2,55% e 1,74%, respectivamente, refletindo preocupações. A análise técnica do Ibovespa Futuro (INDc1) aponta que, apesar da tendência fortíssima, o índice opera perigosamente próximo de seu topo histórico e mostra sinais de exaustão e sobrecompra no curto prazo, alertando para um elevado risco de correção ou lateralização.
O mercado de criptomoedas tenta se recuperar de um trauma severo. O Bitcoin (BTC/USD) sofreu uma liquidação histórica na semana passada, “derretendo mais de 21%” entre a abertura e as mínimas, tocando a faixa de US$ 60.000, um nível não visto desde outubro de 2025. Desde então, conseguiu um repique parcial, recuperando-se para a faixa dos US$ 70.000, mas ainda opera com perdas de 2,41% nas últimas 24 horas. Este movimento brutal levantou questões profundas sobre a resiliência do cripto mercado em um ambiente de aperto monetário global e redução de liquidez especulativa.
A queda foi tão intensa que levou o Bitcoin a romper vários suportes de longo prazo, um sinal técnico extremamente baixista. A recuperação atual é vista por muitos como um alívio técnico ou um dead cat bounce dentro de uma tendência de maior enfraquecimento. A confiança do investidor retail foi abalada, e o mercado agora precisa reconquistar níveis-chave para evitar uma nova onda de vendas. O desempenho do Bitcoin nesta segunda-feira, em um contexto de leve melhora no apetite por risco global, será um teste importante para saber se a pior parte da venda já passou.
A segunda-feira serve como um prelúdio para os eventos principais da semana. A agenda do dia é repleta de discursos e dados secundários que podem gerar volatilidade intradía:
Em conclusão, a segunda-feira, 09/02/2026, é um dia para tática e gestão de posições. As tendências de mais longo prazo – um EUR/USD tentando retomar a alta, um dólar sob pressão por dados fracos, um ouro consolidando e um Bitcoin ferido – estão definidas, mas sujeitas a revisão brusca a partir de quarta-feira. O trader inteligente usará o dia para ajustar stops, tomar lucros parciais em movimentos recentes e posicionar-se de forma conservadora para a enxurrada de dados que está por vir. Em um ambiente onde a volatilidade se tornou a norma, a disciplina e a paciência serão os melhores aliados.
