Resumo:O dólar comercial iniciou esta segunda-feira, 25 de maio de 2026, cotado a R$ 4,99, retornando ao patamar anterior à escalada do conflito no Oriente Médio.

Data: 25 de Maio de 2026
O dólar comercial iniciou esta segunda-feira, 25 de maio de 2026, cotado a R$ 4,99, retornando ao patamar anterior à escalada do conflito no Oriente Médio. A moeda americana opera abaixo da barreira psicológica de R$ 5,00, refletindo uma combinação de fatores: as esperanças de um acordo de paz entre EUA e Irã, a queda nos preços do petróleo e o diferencial de juros ainda elevado entre Brasil e Estados Unidos. No entanto, a calmaria pode ser temporária. A troca na presidência do Federal Reserve (Fed) em maio e as eleições brasileiras em outubro são dois fatores que devem trazer maior volatilidade (volatility) ao câmbio no segundo semestre. Especialistas divergem das projeções do Boletim Focus (que prevê dólar a R$ 5,50 no fim do ano), apostando em uma manutenção ou apreciação do real frente ao dólar.
Nesta segunda-feira, 25 de maio, o dólar comercial abriu o dia cotado a R$ 4,99. A moeda, assim como as outras estrangeiras, tem seu mercado aberto das 9h às 17h (horário de Brasília). A queda do dólar para abaixo de R$ 5,00 é um marco importante, pois a moeda não operava neste patamar desde antes do início da guerra entre EUA e Irã, em fevereiro.
A cotação do dólar ao vivo pode ser acompanhada em tempo real em plataformas como a TradingView. O movimento de baixa é consistente com a tendência das últimas semanas, impulsionada por uma série de fatores estruturais e conjunturais.
O principal motor da queda do dólar tem sido as esperanças de um acordo de paz entre EUA e Irã. O presidente Donald Trump afirmou que as negociações estão na “fase final”, aumentando as expectativas de um fim para o conflito que já dura meses. Um acordo de paz reduziria o prêmio de risco geopolítico que vinha sustentando o dólar como ativo de refúgio (safe haven).
A consequente queda nos preços do petróleo também contribui para a desvalorização da moeda americana. O barril do Brent caiu para abaixo de US$ 100, aliviando as pressões inflacionárias globais. Com a inflação sob controle, as expectativas de que o Federal Reserve (Fed) mantenha os juros altos por mais tempo diminuem, o que também pesa sobre o dólar.
Além disso, o diferencial de juros continua a ser um dos motores mais poderosos para a valorização do real. Mesmo com a expectativa de cortes na taxa Selic (atualmente em 15% ao ano), o Brasil ainda oferece um dos retornos mais atrativos do mundo. Investidores estrangeiros tomam empréstimos em moedas com juros baixos (como o dólar) e investem em títulos da dívida brasileira ou em outros ativos, lucrando com a diferença. Este fluxo constante de capital (carry trade) fortalece o real e derruba o dólar.
O Boletim Focus do Banco Central, que coleta as projeções de analistas de mercado, prevê que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,50. Esta projeção, no entanto, é contestada por especialistas como o professor Mauricio Weiss, da UFRGS.
Weiss ressalta a dificuldade de prever o câmbio devido à multiplicidade de fatores, mas entende que a “tendência seria para uma manutenção ou apreciação do real frente ao dólar”. Dois fatores importantes devem trazer maior flutuação ao câmbio em 2026.
O primeiro fator de incerteza é a troca na presidência do Federal Reserve (Fed) em maio. O novo presidente, Kevin Warsh, assume o cargo em um momento delicado. A possibilidade de mudança no Fed e, mais do que isso, a ingerência de Trump sobre o Fed, são motivos de preocupação.
Como analisa Weiss, “quando há um aumento de incerteza global, mesmo quando o problema é nos Estados Unidos, acaba que as pessoas sem saber o que fazer fogem para o dólar”. Uma crise de confiança no Fed poderia levar a uma fuga para a qualidade (flight to quality), fortalecendo o dólar e revertendo a tendência de queda.
O segundo fator de volatilidade são as eleições brasileiras em outubro. O mercado financeiro costuma reagir a pesquisas de intenção de voto, assim como a declarações dos candidatos. Uma vitória de um candidato de centro-direita, com propostas de ajuste fiscal e reformas econômicas, tenderia a fortalecer o real. Uma vitória de um candidato de esquerda, com propostas de aumento de gastos públicos, tenderia a enfraquecer o real e a pressionar o dólar para cima.
O mercado também monitora os desdobramentos sobre o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, no caso Banco Master. A gravação em que Flávio pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro causou uma queda em suas intenções de voto, reduzindo a chance de vitória da direita nas pesquisas.
O crescimento do valor do dólar em 2024 foi o maior desde 2020, o primeiro ano da pandemia de covid-19. O dólar chegou à marca dos R$ 6 pela primeira vez em novembro daquele ano. Em 2025, o câmbio brasileiro registrou bons resultados devido à elevada taxa Selic (15% em janeiro de 2026) e à queda da moeda americana frente a mercados emergentes em todo o mundo.
A queda do dólar para R$ 4,99 em maio de 2026 é um movimento de continuação da tendência de 2025. No entanto, a história mostra que o câmbio brasileiro é volátil e pode mudar de direção rapidamente.
A cotação do dólar a R$ 4,99 nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, é um marco importante. A moeda americana opera em seu menor patamar desde o início da guerra, impulsionada pelas esperanças de paz e pelo diferencial de juros.
No entanto, a troca na presidência do Fed e as eleições brasileiras em outubro são riscos significativos no horizonte. O mercado pode estar precificando um cenário muito otimista (paz e reformas no Brasil), e qualquer surpresa negativa pode levar a uma forte alta do dólar.
Para o investidor e o cidadão comum, as diretrizes são:
O dólar caiu, mas a calmaria pode ser temporária. A paciência e a gestão de risco continuam a ser as ferramentas mais valiosas para navegar nas águas turbulentas que se avizinham.
