Resumo:Empresa mais valiosa do mundo divulga resultado nesta quarta após o fechamento em Nova York, e o mercado está menos interessado nos números do trimestre do que no que o presidente-executivo Jensen Huang vai dizer
A Nvidia (BDR: NVDC34) virou uma máquina de superar expectativas que, ainda assim, decepciona a bolsa. Nos últimos quatro trimestres, a projeção de receita apresentada pela companhia veio em média 4% acima do que o mercado esperava, segundo levantamento do JPMorgan. Mesmo assim, a ação caiu, em média, nos sete e nos trinta dias seguintes a esses balanços. Dados compilados pela Bloomberg mostram o mesmo padrão em outra medida: os papéis recuaram no pregão seguinte a cinco dos últimos seis resultados.
A empresa divulga nesta quarta-feira (26), após o fechamento do mercado em Nova York, os números do trimestre encerrado em julho. Analistas projetam que a receita praticamente dobrou na comparação anual, o ritmo mais forte em dois anos. E é justamente por isso que o número em si deixou de ser o ponto central.
“Não esperamos que números acima do previsto no curto prazo sirvam como catalisador positivo relevante para a ação”, escrevem os analistas do JPMorgan em relatório.
“Uma perspectiva mais fraca aumentaria o escrutínio sobre custos de financiamento e retorno dos investimentos”, reforça Mark Haefele, diretor de investimentos da divisão global de gestão de patrimônio do UBS.
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O que separa este balanço dos anteriores é o volume de investimentos. Em agosto, a Nvidia anunciou uma plataforma de US$ 500 bilhões montada com casas de Wall Street, entre elas Goldman Sachs, BlackRock e Apollo, para financiar a construção de data centers de inteligência artificial. Também concordou em destinar até US$ 105 bilhões para respaldar um complexo em Ohio que será alugado pela OpenAI.
A dúvida que o mercado quer ver respondida é incômoda para a companhia: quanto da receita da Nvidia está sendo puxada por um dinheiro que a própria Nvidia ajudou a colocar na mesa.
“Eles vão precisar discutir essas duas grandes parcerias ou acordos em bom nível de detalhe e de alguma forma acalmar os temores do mercado em torno da circularidade do financiamento”, aponta Shaon Baqui, analista sênior de ações da Janus Henderson, que mantém posição relevante na empresa.
O Goldman Sachs, que recomenda compra com preço-alvo de US$ 285, avalia que os investidores vão querer entender até onde vai o compromisso de capital da Nvidia nessa estrutura e se ele pode atrapalhar a promessa de recompra de ações e dividendos em um cenário adverso. O JPMorgan, com preço-alvo de US$ 280, projeta que a companhia deve enquadrar as parcerias como uma forma de destravar gargalos de energia e infraestrutura, porque a demanda já existiria de qualquer forma.
Memória, margem e o chip que vem aí
O segundo tema está ligado à crise dos chips. O custo da memória disparou, e clientes já foram avisados de que servidores com chips da Nvidia vão ficar mais de 15% mais caros em alguns casos. Tanto o JPMorgan quanto o Goldman Sachs apuraram que a companhia reduziu a quantidade de memória prevista para o Rubin, sua próxima geração de produtos. A leitura do JPMorgan é que o corte foi imposto pela escassez de oferta, não por escolha de projeto.
O terceiro tema é o Rubin em si. O mercado quer saber quando ele começa a chegar em volume e quanto pesa na receita do trimestre atual. “A barra para a ação está elevada”, avaliam os analistas do Goldman Sachs, que esperam um trimestre sólido e projeção acima do consenso.
O Goldman trabalha com estimativa própria de cerca de US$ 111 bilhões para o mesmo período. O JPMorgan projeta que a Nvidia oriente o mercado para uma receita entre US$ 107 bilhões e US$ 108 bilhões no trimestre que se encerra em outubro. As duas ficam acima do consenso, que gira em torno de US$ 104,5 bilhões.
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Barata, mas sem entusiasmo
Nada disso impediu que a ação perdesse fôlego. A Nvidia sobe 14% em 2026, contra 34% no mesmo ponto do ano passado, e negocia perto do múltiplo mais baixo desde o fim de 2018, quando a companhia valia menos de US$ 100 bilhões. Hoje, vale mais de US$ 5 trilhões e é a empresa mais valiosa do mundo.
O comportamento recente ilustra a indecisão. Depois de subir 19% entre o fim de julho e meados de agosto, o papel emendou sete pregões seguidos de queda, a pior sequência desde 2019.
O que mudou não foi o lucro, que segue crescendo, mas a disposição do investidor de pagar caro por ele. O mercado de opções precifica uma oscilação de cerca de 5% para qualquer lado após o balanço.
“Vai ser um trimestre muito importante para eles, não pelo que estão fazendo no balanço, mas pelo que estão fazendo fora do balanço”, projeta Brian Mulberry, estrategista-chefe de mercado da Zacks Investment Management, que tem ações da empresa. “Isso efetivamente faz de Jensen Huang uma espécie de papa da IA. Ele pode abençoar qualquer um desses acordos.”
(com Bloomberg)
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