Resumo:A cotação do ouro disparou nesta segunda-feira, 05 de janeiro de 2026, reforçando seu status como o ativo refúgio por excelência em tempos de turbulência. Em meio a uma escalada geopolítica de grandes proporções, o metal amarelo registrou ganhos significativos, com a onça-troy negociada em torno de US$ 4.421 (cerca de R$ 37.850, considerando uma taxa de câmbio implícita de R$ 1,00 valendo R$ 757,60). Este movimento vigoroso foi diretamente catalisado pela notícia de que os Estados Unidos capturaram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma operação militar, aumentando drasticamente os temores sobre riscos geopolíticos globais. A narrativa de ouro como hedge contra a incerteza se mostrou mais poderosa do que nunca, atraindo fluxos de capital em busca de segurança.

Publicado em 05/01/2026
A cotação do ouro disparou nesta segunda-feira, 05 de janeiro de 2026, reforçando seu status como o ativo refúgio por excelência em tempos de turbulência. Em meio a uma escalada geopolítica de grandes proporções, o metal amarelo registrou ganhos significativos, com a onça-troy negociada em torno de US$ 4.421 (cerca de R$ 37.850, considerando uma taxa de câmbio implícita de R$ 1,00 valendo R$ 757,60). Este movimento vigoroso foi diretamente catalisado pela notícia de que os Estados Unidos capturaram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma operação militar, aumentando drasticamente os temores sobre riscos geopolíticos globais. A narrativa de ouro como hedge contra a incerteza se mostrou mais poderosa do que nunca, atraindo fluxos de capital em busca de segurança.
O evento definitivo que sacudiu os mercados nesta virada do ano foi a captura do líder venezuelano. A ação militar norte-americana, ocorrida no fim de semana, não apenas removeu Maduro do poder como também transportou ele e sua esposa para os EUA para enfrentar acusações criminais. Este desdobramento agressivo elevou as tensões a um patamar crítico, fazendo com que investidores ao redor do mundo corressem para proteger seu capital. Em momentos como este, a primeira reação é buscar ativos considerados seguros e de valor estável, e o ouro historicamente lidera essa categoria. Conforme relatado, o preço da onça de ouro subiu 2.1% apenas na sessão desta segunda-feira, uma variação expressiva para um único dia, saltando aproximadamente US$ 90 em relação ao fechamento de sexta-feira. Em Reais, esse movimento representa uma alta ainda mais significativa para o investidor doméstico, dado o componente cambial.
O impacto não se limitou ao ouro. A prata, seu primo metálico, apresentou desempenho ainda mais explosivo, com alta de 3.94% para US$ 75,50 a onça. Este comportamento em tandem é típico: a prata, sendo um metal precioso industrial e monetário, muitas vezes amplifica os movimentos do ouro em ambientes de forte aversão ao risco ou de expectativas inflacionárias. O episódio venezuelano serviu como um lembrete brutal de que riscos geopolíticos permanecem como um dos principais drivers para os metais preciosos. A atuação do presidente Donald Trump, que prometeu aproveitar as vastas reservas de petróleo da Venezuela e “administrar o país” durante uma transição, adicionou uma camada extra de incerteza sobre o futuro do fornecimento global de energia e a estabilidade regional.
Do ponto de vista da análise gráfica, o ouro entra em 2026 com um momento de alta bem definido. Após uma correção a partir do recorde histórico de US$ 4.549,71 atingido em 26 de dezembro, o metal encontrou um apoio sólido e demonstrou resiliência. Analistas técnicos destacam que a reconquista da faixa crítica entre US$ 4.350 e US$ 4.360 foi um ponto de virada crucial. Esta área, anteriormente uma resistência, agora atua como um suporte dinâmico, reforçada pela média móvel de 200 períodos no gráfico de 4 horas. A manutenção do preço acima desse nível reduziu substancialmente a pressão de venda no curto prazo e reafirmou a estrutura de alta.
Os principais níveis a serem observados agora são:
O indicador RSI (Relative Strength Index), em torno de 54, mostra um mercado aquecido, mas não sobrecomprado, sugerindo que há espaço para mais ganhos caso novos catalisadores surjam. A formação de um triângulo ascendente que foi rompido anteriormente projeta, em teoria, um alvo de longo prazo em torno de US$ 4.900. Embora esse movimento não deva ocorrer da noite para o dia, ele ilustra o potencial de alta que os analistas enxergam no atual ambiente macroeconômico e geopolítico.
Para além do choque venezuelano, o ambiente macroeconômico continua excepcionalmente favorável para o ouro. O principal motor tem sido a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) dos EUA e outros bancos centrais importantes iniciem ciclos de corte de juros ainda em 2026. Quando as taxas de juros caem, o custo de oportunidade de manter ouro – um ativo que não rende juros – diminui, tornando-o mais atraente comparado a títulos da dívida. Esta narrativa “dovish” (de estímulo) tem sustentado a demanda institucional.
Outro pilar fundamental é a compra agressiva de barras de ouro por bancos centrais ao redor do mundo. Diversas nações, especialmente em mercados emergentes, vêm aumentando suas reservas em ouro como forma de diversificar suas carteiras, reduzir a exposição ao dólar americano e proteger sua soberania financeira. Este comprador constante e de longo prazo cria um piso de demanda estrutural para o metal. Além disso, os investidores de varejo e institucionais continuam a canalizar recursos para ETFs (Exchange Traded Funds) lastreados em ouro, reforçando o fluxo de capital para o setor. A combinação de juros futuros mais baixos, riscos geopolíticos elevados e demanda institucional robusta cria uma tempestade perfeita para os preços do ouro.
Os reflexos da crise não se limitaram às commodities. O mercado acionário reagiu de forma segmentada e reveladora. Enquanto os índices gerais na Ásia subiram, focando em notícias domésticas, setores específicos na Europa e nos EUA tiveram desempenhos expressivos. As ações de empresas de defesa foram as grandes valorizadas, com saltos como 4.6% da britânica BAE Systems e 7.5% da alemã Rheinmetall. Este movimento é lógico: tensões geopolíticas agudas alimentam a expectativa de que os governos aumentem seus orçamentos militares, beneficiando diretamente as contratadas do setor. É uma aposta na escalada e na precaução estatal.
No setor de commodities, as empresas de mineração de ouro e prata surfaram na onda dos preços mais altos. Companhias como Endeavour Mining e Fresnillo registraram altas superiores a 4%. Para essas empresas, o preço mais alto do metal extraído se traduz diretamente em maior margem de lucro e fluxo de caixa, desde que os custos de produção estejam controlados. Curiosamente, o petróleo teve uma reação mais contida. O Brent subiu apenas 0.5%, refletindo a opinião dos analistas de que a produção global abundante e o fato de a Venezuela hoje responder por apenas 1% do suprimento mundial compensariam qualquer interrupção. No entanto, ações de petroleiras americanas, como a Chevron (única operando no país na época dos eventos), dispararam em negócios pré-mercado, na expectativa de um acesso futuro facilitado às reservas venezuelanas.
Para o investidor brasileiro, a análise da cotação do ouro ganha uma dimensão adicional crucial: o câmbio. Quando se converte o preço internacional de US$ 4.421 para Reais, utilizando o valor de referência do documento (onde 1 vale R$ 757,60), chega-se a aproximadamente R$ 37.850 por onça. Este cálculo hipotético ilustra um ponto vital. O ouro em Real oferece uma proteção dupla: contra a desvalorização da moeda local (dolarização indireta) e contra a instabilidade global. Em períodos de incerteza doméstica ou fuga para qualidade internacional, o metal serve como um hedge cambial e político eficaz. Portanto, a alta de 2.1% em dólares pode se transformar em um ganho ainda maior (ou uma perda menor) em Reais, dependendo do comportamento do par USD/BRL. Esta característica faz do ouro um ativo estratégico em qualquer carteira de investimentos brasileira que vise preservar o poder de compra no longo prazo.
As projeções para o ouro no restante de 2026 permanecem predominantemente otimistas, mas não isentas de riscos. O cenário base, apoiado pela análise técnica e macro, sugere uma trajetória de alta com possibilidade de testar e superar os máximos históricos, mirando inicialmente a região de US$ 4.550 e, posteriormente, abrindo caminho para patamares ainda mais elevados, como os US$ 4.900 projetados por algumas formações gráficas. A demanda por ativos defensivos deve permanecer forte enquanto as tensões geopolíticas persistirem e a narrativa de cortes de juros se mantiver.
Entretanto, é preciso cautela. Movimentos de realização de lucros são naturais após uma alta expressiva como a observada em 2025 (mais de 60%). A liquidez do mercado, que tende a ser mais fina em períodos de festas e início de ano, pode amplificar a volatilidade. Qualquer sinal de que o Fed será mais “hawkish” (agressivo no combate à inflação) do que o esperado, adiando ou reduzindo a magnitude dos cortes de juros, poderia retirar um dos principais pilares de sustentação do metal. Além disso, uma desaceleração mais rápida da economia global, reduzindo a inflação e a demanda por proteção, também poderia pesar.
O evento na Venezuela funcionou como um poderoso lembrete em 2026: em um mundo ainda fragmentado e sob a sombra de conflitos, o ouro mantém seu brilho inabalável como porto seguro. Sua alta de mais de 2% em um único dia, impulsionada por um risco geopolítico agudo, demonstra sua sensibilidade e relevância. Quando combinamos esse fator de curto prazo com os ventos macroeconômicos de longo prazo – juros em queda potencial, inflação persistente e demanda institucional firme – o quadro para o metal precioso se torna robusto.
Para o investidor global, o ouro representa uma apólice de seguro. Para o investidor brasileiro, essa apólice é ainda mais valiosa, agregando proteção cambial. As análises técnicas indicam que a trajetória de menor resistência continua sendo de alta, com suportes bem definidos que, se mantidos, podem levar o metal a explorar territórios inéditos. Embora pullbacks e consolidações sejam saudáveis e esperados em qualquer tendência forte, o ambiente fundamental e o contexto geopolítico sugerem que o ouro deve permanecer como um componente essencial e brilhante nas carteiras de investimento ao longo de 2026. Em um cenário onde a incerteza é a única certeza, a história nos mostra que ter uma parcela do patrimônio em ouro não é apenas uma estratégia de investimento, mas um princípio de prudência financeira.
